24 de junho de 2013

Flores de inverno


Dois invernos atrás, ao sairmos para um passeio, L. (então com 5 anos), me aparece com uma cesta vazia nas mão.

– Por que você vai levar esta cesta vazia? – perguntei.
E ela:
– Vou pegar flores.

Tontamente, na hora me veio à cabeça uma daquelas imagens idealizadas de um campo lindo e florido (que por sinal nunca vi ao vivo). Já me sentindo meio triste com a provável decepção que a filha teria pensei: "Mas onde ela vai pegar flores?... Aqui (nessa cidade cinza, cheia de carros e fumaça) não tem flores para colher..."
E deixei a pergunta sair meio baixinho:
– Mas onde você vai achar flores por aqui?...

Ela não precisou responder.

Assim que saimos do prédio a menina já encheu sua cesta com as flores da árvore mais próxima: uma Pata-de-Vaca com flores brancas que lembram uma orquídea.
Mais adiante, uma outra Pata-de-Vaca, só que com flores rosadas.

No caminho, paramos o carro para pegar flores de um ipê amarelo imenso em frente a uma praça.
Na calçada dos meus pais, pegamos alguns ibiscos em botão, vermelhos.
No quintal deles, ela pegou mais umas florezinhas amarelas, que não sei o nome.

Branco, rosa, vermelho, amarelo... e uma cesta cheinha de flores. :o)

"Mas onde você vai achar flores por aqui?..."
Ha!
Tinha me esquecido completamente das árvores que sempre olhamos pelo caminho.

...

Às vezes está lá.
Nós enxergamos, olhamos... e não vemos.

Ainda bem que de vez em quando alguém nos mostra. :o)